Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2010
A inauguração do Distrito de Esgotos da Glória foi um empreendimento de inusitada importância para o Rio Imperial de meados do século XIX, face ao vulto financeiro e à complexidade das obras que o caracterizavam, à qual compareceram o Imperador D. Pedro II e seu Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, Domiciano Leite Ribeiro, Visconde de Araxá. Como o noso governo era monárquico, é presumível que nobres e fidalgos tenham acorrido ao local, pressurosos em acercarem-se do Imperador que, pessoalmente, prestigiava o acontecimento. O bairro da Glória viveu, certamente, um dia glorioso, com as adjacências do 3° Distrito tomadas pela carruagem imperial e outras viaturas típicas da época, olhadas com interesse e curiosidade pelo povo. Ali foi dado início a um grande empreendimento técnico, de nítido interesse social, que representaria, até abril de 1947, um investimento de cerca de 3,4 milhões de libras esterlinas, que visava preservar a saúde e o bem estar da população. A "Casa de Máquinas" e a "Estação de Tratamento" da Glória atendiam a uma área de 158 Ha, em que se encontravam os simpáticos bairros residenciais de Laranjeiras, Silvestre, Santa Tereza, Glória, Flamengo e Catete, acrescidos de parte da zona da Lapa, Praia de Santa Luzia e arredores, até as ruas Senador Dantas, Evaristo da Veiga, Francisco Belizário e Costa Barros.
A "Casa de Máquinas" foi equipada com 2 máquinas a vapor, uma de 20 Hp e outra de 8 Hp, com capacidade conjunta para recalcar 102 m3/h. O equipamento foi montado em sólida base de concreto, num recinto que media 5,40 m x 17,94 m, onde funcionou durante 47 anos, até 1911, quando o Governo determinou que as máquinas a vapor fossem substituídas por bombas acionadas por motores elétricos. Para cumprir esta exigência, a City instalou novos equipamentos na área externa, fora do prédio principal, que foram os seguintes:
Houve, como se vê, um considerável aumento da capacidade de recalque do sistema elevatório que passou de 102 m3/h em 1864 para 1.740 m3/h em 1911. A "Estação de Tratamento" da Glória dispunha de 4 tanques de decantação do afluente sanitário, com volume total de cerca de 960 m3 e período de retenção de 69 min. Eram tanques retangulares, de chapas de ferro fundido, dispostas longitudinalmente no 2° pavimento do prédio principal do Distrito. Suas dimensões eram as seguintes:
Rua do Russel, 1 - Glória - Rio de Janeiro/RJ - Cep 20210-010 - Tel: (21) 2136-6751