Rio de Janeiro, 7 de Janeiro de 2009

A Seaerj e o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) promoveram, no dia 20 de maio, debate com os candidatos à presidência do Crea-RJ. Compareceram à sede da Seaerj para expor seus programas o engenheiro agrônomo Agostinho Guerreiro, o engenheiro civil Alexandre Duarte, o arquiteto e urbanista Canagé Vilhena, o engenheiro mecânico e de segurança do trabalho Jaques Sherique, o engenheiro florestal Glauber Pinheiro e o arquiteto e urbanista Sydnei Menezes. A mesa do evento foi dirigida pela presidente do IAB , Dayse Góis, e pelo vice-presidente da Seaerj, Marcio Paes Leme.
Segundo a presidente da SEAERJ, Angela Botelho, o objetivo da iniciativa foi “democratizar o acesso dos associados às plataformas e propostas dos candidatos e contribuir com o debate sobre os rumos dessa importante instituição”.
Alexandre Duarte disse que não quer ser presidente do Crea.
– Eu quero ser candidato. Quem tem que querer que eu seja presidente do Crea é a comunidade de engenheiros, arquitetos, agrônomos, geólogos, técnicos e tecnólogos. Minha campanha tem dificuldades financeiras, sem o acesso que alguns companheiros têm a listas de profissionais do Sistema, o que me obriga a um trabalho muito mais efetivo no dia-a-dia. Mas acho que tenho alguma coisa a fazer pelo sistema. Vejo hoje o Crea como uma máquina que ultrapassou tudo aquilo que era necessário. O Crea tem que diminuir. Essa diminuição se dará entendendo que os profissionais que queiram sair do sistema devem fazê-lo. Falo isso para os arquitetos, agrônomos, técnicos e para quem mais quiser sair. Encontrarão no presidente do Crea Alexandre Duarte uma mão firme no direcionamento desse encaminhamento. Tenho certeza que, com que a ligação fortíssima que tenho com os arquitetos – tenho uma filha arquiteta, sou mestre em arquitetura e leciono há 30 anos na faculdade de arquitetura – essa separação seria no mais alto nível, sem qualquer tipo de briga. Temos que sentar na mesa e ver o desinteresse de cada um, se é que eles existem. Mas se esse for o encaminhamento, podem contar que serei uma ferramenta a favor dessa situação.
Jaques Sherique afirmou que não quer ser presidente do Crea. “Eu serei o presidente o Crea”, sustentou.
– Quem tem interesse em ser presidente do Crea prcisa ter uma plataforma factível para fazer uma série de melhorias. Nosso atendimento tem que melhorar muito. Mas não é culpa do atendimento. A culpa é da sociedade, porque cresceu muito a procura pelo Crea. E tem candidato aqui querendo diminuir a autarquia. Fizemos um esforço enorme para tirar o Cera daquela arrecadação irrisória e transformá-lo num órgão que tem representatividade na sociedade e agora querem reduzir o Crea novamente. Esfacelar o Crea em diversos conselhos? Onde está a força da nossa unidade? É preciso pensar quais são os candidatos que tem realmente propostas. Os profissionais sabem quem pode ajudar e quem sabe conduzir o Crea.
Agostinho Guerreiro contou que desde o ano passado um conjunto de entidades e lideranças vinha se reunindo, discutindo o Crea.
– Exatamente porque tinham preocupações. Muitas delas estão sendo colocadas aqui e a maioria é do conhecimento de todos. Até porque quando fui presidente do Clube de Engenharia e, no passado, quando fui representante do Sindicato dos Engenheiros no Crea, eu tinha posições. Sou estudioso do assunto e tenho artigos publicados no Globo sobre o tema. Durante minha gestão como presidente do Clube de Engenharia nós reuníamos com uma relativa regularidade toda a bancada de representantes junto ao Crea. Havia insubordinação inclusive. Algumas pessoas atendiam as diretrizes do Clube e outras não. A democracia tem esses problemas e é preciso lidar com eles. Os conhecimentos que fui acumulando e minha passagem por outros órgãos da sociedade civil fez com que eu fosse convidado a participar desses encontros. Havia outros nomes indicados para serem candidatos e entenderam que o meu nome tinha perfil, currículo e apoio mais adequado.Com isso fui indicado e aceitei essa tarefa. A partir de então estou absolutamente convencido que é importante que a oposição ganhe. Não sou candidato de mim mesmo. Sou candidato de um conjunto de lidereanças e entidades representativas de nosso estado.
Canajé Vilhena destacou sua longa trajetória na militância profissional e político-partidária.
– Uma interferência política muito forte impede que a gente alcance a eficácia social que nossa missão impõe. Verifiquei que não existe nenhum partido político ou entidade isoladamente que possa contribuir melhor para melhorar esse quadro do que o sistema Confea/Crea. Acredito que apesar de seu início profundamente corporativo, na véspera do Estado novo, esse sistema atingiu um nível de autonomia e independência em relação ao poder público. Os movimentos sociais, junto com a participação dos profissionais da área tecnológica e as associações profissionais, principalmente as do interior, é que vão mudar esse quadro tão perverso na construção e na manutenção das cidades. Quero abrir essa discussão e mostrar como fomos ineficazes em conseguir garantir nossa missão social. Não fomos capazes de construir um espaço nas cidades adequado para a qualidade de vida, como a gente pensa e acredita. No momento, a única maneira de fazer isto é dentro do sistema Confea/Creas. Eu me coloco à disposição hoje depois de ter ouvir por mais de vinte anos perguntarem por que não me candidatava à presidência do Crea, depois de ocupar várias vezes o cargo de orientador de câmara e também de vice-presidente da autarquia. É um sonho que tenho de dar mais uma colaboração para melhorar a qualidade de vida e do espaço construído, que tem sido de péssima qualidade, porque a política eleitoreira tem deturpado nossa contribuição no serviço público.
Glauber Pinheiro disse que quer ser presidente do Crea porque existiria uma enorme insatisfação da grande maioria dos profissionais com relação ao sistema.
– Pesquisa recente feita pelo Confea mostra que mais de 80% dos profissionais não sabe nem para que serve o Crea – acham que a autarquia serve para defender o engenheiro, que é entidade de classe. Acho que isso não deveria ser assim. A gestão do Crea deve se dar pelos seus conselheiros, representante pelas entidades de classe e das instituições de ensino. A figura do presidente do Crea é de mero administrador, do patrimônio e dos recursos. A política deve ser tratada pelos seus conselheiros. O que falta é respeitar a opinião dos conselheiros e respeitar o espaço de discussão e de decisão. Se essas decisões forem tomadas democraticamente entre os representantes, não há motivo para que os profissionais fiquem insatisfeitos com a gestão do Crea. Por que quero ser presidente do Crea? Porque isso não está acontecendo. Eu trabalhei no Crea, fui assessor da presidência durante os dois mandatos do presidente Chacon e também no início da gestão do presidente Reynaldo. Não continuei no Crea porque não estava satisfeito com a política que estava sendo implementanda, com as entidades de classe esvaziadas, sem ânimo para reunir seus profissionais. Não recebem o repasse de 10% da ART que a lei lhes garante. Não tenho a menor pretensão de ser candidato a vereador ou deputado. Não quero aparelhar o Crea e usá-lo como trampolim. Quero ser presidente do Crea para fazer uma gestão para os profissionais e para a sociedade. Foi o que fiz minha vida toda como presidente de entidade de entidade de classe regional, como conselheiro e diretor do Crea e presidente de entidade nacional que sou hoje.
Sydnei Menezes afirmou que quer ser presidente do Crea para combater, em primeiro lugar, o Confea.
– Quero combater essa centralização absurda que há no Confea, dono e senhor absoluto de toda a receita. Nós, contribuintes e profissionais, sustentamos esse Sistema altamente questionável, principalmente essa diretoria que está lá. Em segundo lugar, quero ser presidente do Crea para enfrentar esse absurdo da Mútua que recolhe o dinheiro dos profissionais e investe parte no mercado financeiro e parte no mercado imobiliário, sendo o Rio de Janeiro inclusive o único estado onde existe uma farsa e uma mentira, porque aqui não tem caixa de assistência. O que existe é uma representação da Mútua irregular, ilegal e que é sustentada por dinheiro de todos os profissionais. Por último, quero ser presidente do Crea para dar continuidade ao trabalho dos últimos seis anos. É inegável, com todas as questões que precisamos melhorar ainda, o avanço do Crea do Rio de Janeiro: a ART online, a Web TV, a Revista, o Crea Estudante, o Progredir, o Colégio de Entidades, as inspetorias, a descentralização do sistema e tantas outras conquistas. Falta muita coisa, que é o que vamos fazer, numa parceria ampla e profunda com as entidades como a Seaerj e o IAB – tenho orgulho de ser conselheiro de ambas as entidades.